sábado, janeiro 28, 2006

Josefa d`Ayala e Cabrera

Josefa d`Ayala e Cabrera, que ficou conhecida como Josefa de Óbidos, nasceu em Sevilha, na Paróquia de São Vicente, em Fevereiro de 1630. Filha do pintor português Baltazar Gomes Figueira e da nobre andaluza Catarina de Ayala Camacho Cabrera Romero, cedo veio viver para Portugal com seus pais e irmã, primeiro para Peniche e depois para Óbidos, em 1936. Ao longo da sua vida não parece ter feito outra coisa senão pintar telas e tábuas, gravar cobres e modelar barro. As suas primeiras obras, conhecidas, são as gravuras de Santa Catarina e de São José, trabalhadas a buril, aos 16 anos. Josefa gostava de assinar as suas obras, escrevendo a seguir ao nome o local onde se encontrava. Os painéis que pintou, desde 1668 até ao ano da sua morte, assinou – os Josepha d`Ayala em Óbidos e esta é a razão pela qual a pintora do século XVII, começou a ser conhecida por Josefa de Óbidos. O talento nasceu com ela. Combinou os ensinamentos do pai com a espontaneidade de quem pratica a arte sem sentir influências. As suas pinturas enquadram – se no movimento barroco, também ela valoriza a imagem e se dedica á arte religiosa, criando pinturas e gravuras que nos levam a imaginar uma personalidade feminina gentil e de grande sensibilidade. A gravura de Santa Catarina está assinada “em Coimbra”, portanto, aos 16 anos, Josefa encontrava – se no Convento Agostinho de Sant’Ana, onde terá vivido na qualidade de “donzela emancipada”, aprendendo pintura, até 1653, data em que retornou a casa dos pais, não seguindo a vocação religiosa. Catarina de Alexandria foi uma das santas de devoção da pintora educada segundo a religião católica, devota e casta até à morte. A sua primeira figura é dedicada àquela mulher que, diz a lenda, desafiou o Imperador Maximiano, criticando os deuses, e por isso, foi descarnada viva numa roda de lâminas.
Josepha d ´Ayala Cabreira, como assinaria o testamento, deixou a sua herança à mãe e ás sobrinhas. A pintora, que escolheu uma vida pouco comum para uma mulher, não tinha mãos a medir, e foi investindo os ganhos na compra de terrenos em Óbidos e na aquisição do foro da Espinheira, na serra do Bouro, perto das Caldas da Rainha, uma atitude que denota algum desafogo. A filha de Baltazar respondia a quase todas as solicitações, chegando a fazer retratos, entre os quais é exemplo maior o “Retrato do Beneficiado Faustino das Neves”. Das suas obras mais significativas são ainda de destacar: - O Retábulo de Santa Maria de Óbidos, 1661, os quadros da igreja matriz de Cascais (1672 – 1673) e as naturezas – mortas da Biblioteca – Museu Braamcamp, em Santarém (1676). Encontra – se ainda representada no Museu Nacional de Arte Antiga

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